Caldeira 213

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Caldeira 213 (1999/2001…)
was a self-organized and independent artist-cooperative housed in an old building in Oporto’s historical Center that provided studios where independent artists carried out their work.
Apart of this, Caldeira213 ran an exhibition program, with a broad range of activities and manifestations.

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“The Caldeira 213 association was established by young artists of several
areas, in January/2000, to:
The autonomous creation and administration of a versatile creative place
where one can redefine the current concept of art exhibition/exposition. A
place where the production and exhibition of contemporary art is possible,
apart from all the institutionalised or commercial places;
To promote a wide net of contacts among creators from all the spheres of
the artistic world, having in mind a collective productive effectiveness to
deepen the artistic and descriptive dialogs already existent and to
(re)launch other debates.”

«… the worst thing happening at the moment is that there is just time or
speed or the passage of time, but there is no space. It is necessary to
create spaces and occupy them, against this acceleration (…). The winners
have never produced culture.»
(Heiner Müller)

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C213 Members_
Ana Gama >>
Ana Luísa Medeira >>
André Amorim
Ângelo Ferreira de Sousa
Carla Cruz >>
Carlos Barros
Catarina Carneiro de Sousa >>
Catarina Falcão
Emanuel Matos
Fernando Rocha
Hugo Almeida
Isabel Carvalho >>
Luís Eustáquio
Ruben Freitas
+
ZOiNA (Group)
Nós (Group) >>
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“The Joke” is a small narration of gracious, humorous character. Only that?
Few academics lost their precious time analysing it. The joke, in the clinic vision of a dictionary, is defined by two dry lines of text. But it engages crowds! To the question: “Have you heard the last one?”, nobody answers positively and is ready to listen. The joke is universal; every culture has its own. Its nature allows endless translations and versions, more than any author would ever dream of regarding his/hers serious books. But no one ever thought to sign their jokes, the joke is always anonymous. The joke transcends to such point the notion of authorship that we may question if it has an author. The joke is current, and appears always to destroy the seriousness of the subjects spoken at the moment. The joke is implacable, it doesn’t respect the dead, nor politicians, nor popes, nor gods, nor pains… The joke is cynical, ideological. The joke transmits dominant values, and less frequently the vision of minor cultures. The joke is almost always Nietzschean, it laughs with no modesty of the weak and the crippled, it’s the super-joke. The joke also dislikes and makes us feel bad with our own laughs, the joke bothers. The joke is constantly reconstructed every time it is told. The retelling of the joke transforms the previous listener into the current author. The same joke dies and is reborn from mouth to mouth, the same joke can have all or no humour depending on the person who told it and the place where is told. The joke is sensitive to situations. The joke awakes the author and the scorn that we all have. The joke is demanding and modesty kills it. The joke fights against the embarrassment with dirty words which corrodes the ears of morality. The joke enjoys, fuck!, with your ideas! The joke circulates faster than any idea. In short time we all know “the last one”. The joke is strong, has the energy of what is alive and funny. It makes us laugh and to share that stupid joy with others. Every attempt to domesticate and commercialize the joke will be a failure.
Nobody buys joke books because they’re no fun. The joke is verbal, doesn’t like the rules of written language and often jokes with language itself. The joke is political and social like Man. The joke misuses the values and beliefs. In monitored times, the joke is one of the last collective manifestations, we all share that authorship. The joke reinforces friendships, marks enemies and starts good discussions. The joke might have a thousand faces, but is always irresponsable and represents the anti-sacred side of the Humans. The joke is not to be praised. The joke, at last, is forgotten, when it becomes too well-known or when its motives or characters disappear. The joke has a justified life and a stated period. CALDEIRA 213 – the good jokes we want to be.

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A Anedota é “uma pequena narração de carácter gracioso, jocoso.” Só?
São raríssimos os estudiosos que perderam o seu douto tempo a analisá-las. A anedota, na visão clínica de um dicionário, não merece mais do que duas linhas definidoras. Mas entusiasma multidões! À pergunta: “Já ouviste a última?”, ninguém responde positivamente e está pronto para ouvir. A anedota é universal, todas as culturas têm as suas. A sua natureza permite-lhe infindáveis traduções e versões, que nenhum autor sequer sonharia para as suas obras sérias. Mas nunca ninguém se lembrou de assinar a sua, a anedota é sempre anónima. A anedota transcende a tal ponto a noção de autor que nos podemos perguntar se teve autor. A anedota é actual, aparece sempre destruindo a seriedade dos assuntos falados no momento. A anedota é implacável, não respeita mortos, nem políticos, nem papas, nem deuses, nem dores… A anedota é cínica, é ideológica. A anedota transmite maioritariamente os valores dominantes, e menos frequentemente a visão de culturas minoritárias. A anedota é quase sempre nietscheana, ri-se sem pudor do fraco e do aleijado que estorva, é a super-anedota. A anedota também repugna e faz-nos sentir mal das próprias gargalhadas, a anedota incomoda. A anedota é constantemente reconstruída a cada vez que é contada. A anedota transforma o espectador de há pouco em autor de agora. A mesma anedota morre ou renasce no boca-a-boca, a mesma anedota pode ter toda ou nenhuma graça conforme a pessoa que a conta e o cenário ambiente. A anedota é sensível às situações. A anedota desperta o actor e o mimo que todos transportamos connosco. A anedota é exigente e o pudor mata-a. A anedota luta contra todas essas vergonhas com palavras feias, com ácidos palavrões que corroem os ouvidos dos moralistas. A anedota goza, caralho, com as tuas ideias! A anedota circula mais rapidamente que qualquer ideia. Em pouco tempo todos sabemos a “última”. A anedota é forte, tem a energia do que está vivo e é divertido. Dá vontade de rir e impele-nos a partilhar essa estúpida alegria com os outros. Todas as tentativas para domesticar e comercializar a anedota são um fracasso. Ninguém compra livros de anedotas porque, simplesmente, não têm piada. A anedota é oral, não se dá com as regras da linguagem escrita e muitas vezes ridiculariza a própria língua. A anedota é política e social como o Homem. A anedota faz gato sapato dos valores e das crenças. Em tempos tão monitorizados a anedota é uma das últimas manifestações colectivas, todos partilhamos essa obra. A anedota reforça amizades, marca inimigos e inicia boas discussões. A anedota pode ter mil caras, mas é sempre irresponsável e representa a faceta antisagrada dos Homens. A anedota não se louva. A anedota, por fim, esquece-se, quando se torna demasiado conhecida ou quando desaparecem os seus motivos ou as suas personagens. Tem a vida justificada e um prazo exacto.
CALDEIRA 213 as boas anedotas que queremos ser.

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^ “desAUTORizado 2″ (2001)

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^ “[+de 20] grupos e episódios da arte no Porto do século XX” (2001)
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^ “I’ll be your mirror” in WC Container
Carlos Barros, Luís Eustáquio, Ângelo Ferreira de Sousa (C213) – 2001

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^ “Palácio Imperfeito” – Ângelo Ferreira de Sousa (C213)
at “Alquimias dos pensamentos das Artes” – Coimbra, Portugal (2000)

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C213 dia-a-dia
[PDF 292Kb]
C213-História >>

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Luis-Eustaquio.jpgAna-Medeira.jpgRonald-Duarte.jpgRuben-Freitas.jpgCarlos-Barros-.jpgNuno-Ramalho.jpgEmanuel-Matos.jpgAFS.jpginter-medio.jpgIsabel-Carvalho.jpgKai-Takeda.jpgZOiNA.jpg

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